Por quê eu não compro em sites da China

06:23

Meninas, o post hoje é um pouquinho diferente.

Já vi em muitos blogs as meninas ensinando a comprar em sites chineses, como o Ally Express e etc. Eu vim fazer exatamente o contrário aqui hoje. Vou contar para vocês o porquê eu não compro e nunca comprei em sites da China.

Como vocês sabem, sou formada em Moda. Durante a faculdade, aprendemos sobre várias faces do mundo da moda, como história da vestimenta, a história da arte, confecção de peças, sobre a indústria e etc. Os professores sempre procuraram nos manter atualizadas em relação a situação da moda atual, não apenas ao pesquisar tendências, mas ao compreender os processos que antecedem as mesmas. Foram debatidos em sala de aula assuntos interessantes aos olhos dos apaixonados pela moda, tais como os bastidores da revista Vogue e a produção de desfiles de alta costura. Porém, os professores nunca deixaram de nos apresentar o lado feio da Moda, aquele ângulo que parece desaparecer ao lado de passarelas elegantes e de peças de milhares de dólares.

Vamos falar um pouquinho hoje sobre os sites de compras da China, em especial. Infelizmente, o trabalho escravo nesse país é uma situação fora de controle. Embora as notícias estejam por todos os lados na internet, parece uma situação mais fácil de ser ignorada do que investigada, mais conveniente para o bolso de quem compra e mais lucrativa para os donos dessas grandes empresas. Aparentemente, quem sai perdendo?! É possível comprar por mais barato e garantir produtos bonitos e de qualidade. Mas será que ninguém se pergunta: COMO é possível tantas vantagens? Alguém nessa história toda tem que sair perdendo. E é com grande aperto no coração que eu apresento a vocês os trabalhadores escravos da China.

Durante anos a situação era conhecida até certo ponto mas mantida por debaixo do tapete. Por muito tempo escravizados e vivendo em grande sofrimento, os trabalhadores chineses não tinham para quem pedir socorro. Hoje, graças ao avanço da tecnologia e das redes sociais, vários casos já foram divulgados. Acreditem, a verdade é chocante. Um exemplo é essa carta que foi encontrada por uma mulher após a compra de um produto 'made in China', detalhando o sofrimento dos funcionários de uma das empresas que adotam esse sistema, implorando por ajuda:

Senhor
Se você por acaso comprou esse produto, por favor faça a gentileza de encaminhar essa carta para a Organização Mundinal dos Direitos Humanos. Milhares de pessoas que estão sendo sendo reféns do Partido Comunista Chinês vão agradecer e lembrar de você para sempre. Esse produto foi produzido pela Unidade 8, Departamento 2, Masanjia Labor Camp, Shenyang, Liaoning, China.
Pessoas que trabalham aqui tem que trabalhar 15 horas por dia, sem pausa nos fins de semana ou feriados. Se se recusarem, eles sofrem torturas, apanham, e recebem praticamente nenhum pagamento (10 yuan por mês – aproximadamente 2 dólares).
Pessoas que trabalham aqui sofrem punições ilegais, sendo condenados a trabalhar nessas condicões de 1 até 3 anos em média, sem nenhum tipo de sentença judicial. Muitos deles são totalmente inocentes e estão sendo punidos somente porque acreditam em coisas diferentes do que o CCPG, e nesses casos sofrem punições mais severas do que os outros.”)
Zhang entretanto conseguiu sair da fábrica e continua sendo um testemunho vivo do horror que se passa no campo de trabalho forçado de Masanjia. Outros como ele têm dado voz e rosto à causa, como Chen Shenchun, de 55 anos que passou dois num lugar desses e diz: “às vezes os guardas puxavam-me pelos cabelos, colavam na minha pele barras ligadas à eletricidade, até que o cheiro de carne queimada enchia a sala”. 

MasanjiaLabourCamp3 

É inacreditável, mas a maioria dos trabalhadores escravos dessa região são capturados por perseguição religiosa!! Essa notícia devastadora correu o mundo e pode ser estudada com mais detalhes clicando aqui.

E essa está longe de ser a única notícia sobre o assunto. É só procurar na internet que há dezenas de casos parecidos. Outro exemplo, foi o pedido de ajuda que uma moradora do DF recebeu junto a uma compra realizada pelo Ally Express. Junto à etiqueta, o bilhete dizia: 'Sou escravo, me ajude'.


Agora, apavorem-se: o fundador do Ally, atualmente o homem mais rico da China, acumula uma fortuna de aproximadamente 25 bilhões de dólares!!!! Chega a ser assustador o ponto que o egoísmo do ser humano pode chegar. Gurias, eu preciso que vocês percebam a gravidade dessa situação. Desde que eu assisti vídeos e reportagens sobre o assunto, eu aconselho a minha irmã a não comprar da China e é assim que prosseguimos. Preferimos comprar um vestido ao invés de três ou quatro, sabendo que não escravizamos uma criança para a nossa vaidade.

Segue mais imagens de mensagens de socorro encontradas por consumidoras:



Já aviso que essa é uma situação que não ocorre APENAS na China, mas PRINCIPALMENTE lá. Aqui no Brasil a prática também é um quadro atual, mas que TEM que ser revertido!!! Grandes lojas de porte internacional já foram condenadas por essa situação, mas isso é assunto para outro post.

Pode ser que o fato de apenas eu não comprar não vá mudar a triste situação de que cada vez mais esses sites tem feito sucesso entre os brasileiros. Mas eu não conseguiria encostar a cabeça no travesseiro sabendo que do outro lado do mundo existe uma criança que foi forçada a fazer a roupa que estou usando. Eu acredito no poder de uma gota no oceano! Chega de comprar nesses sites! Vamos fazer a nossa parte!!! Vamos orar para essa situação ter fim!


Beijinhos,

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2 comentários

  1. Eu concordo com teu post, porque eu vejo que, quanto mais pessoas compram, maior é a demanda, logo, maior é a busca por mais pessoas para trabalhar como escravas. Se diminuírem as vendas, diminui a produção também. Muito parecido acontece no mercado pornográfico, que é financiado, na sua maior parte, pelo tráfico internacional de pessoas para fins de exploração sexual, que é hoje o tipo de tráfico que mais fatura no mundo, e por exemplo, quando mais pessoas assistem a um determinado tipo de filme com um determinado esteriótipo, faz com que aumente o ibope desse filme. Por exemplo, quanto maior é o ibope de filmes com mulheres japonesas, negras, crianças etc maior é a procura por essas mulheres. Então, consequentemente, se diminuir o número de pessoas que assistem esses filmes, logo, a procura por essas mulheres vai diminuir também. Assim eu penso em relação à compras da china. Quanto menor for a procura, menos pessoas estarão sendo escravizadas porque a produção será menor também. Sei que isso não vai mudar o sistema chinês, mas pelo menos não estaremos financiando o trabalho escravo, que é crime, assim como tráfico de drogas, pirataria etc.

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  2. Te dou toda a razão. No início, quando o Ali express começou a bombar tinha muita vontade de comprar, mas acabava não comprando por causa do tempo que demorava, e às vezes pelos riscos de taxação, produtos de má qualidade, etc. Me enrolei por muito tempo e nunca comprei, até que recentemente começaram a surgir as denúncias. Bem que desconfiei, estava demorando para o assunto vir a tona, como pode ser tão barato? Infelizmente a maioria ou não sabe ou finge que não acontece. Na minha turma (faço moda, na ritter também) falamos sobre o assunto do trabalho escravo desde o primeiro semestre, nos casos da zara e etc, mas muuitos compram no ali express. Penso que a única resposta é essa mesma: ou não sabem ou ignoram...
    Decepcionante :/

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